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_________________Luandabela♥♥♥
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__________♥Olá♥ Caríssimo♥
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___EU___*####*
__QUERO___*####
__VOCÊ_______*##*
__FELIZ TODO___*##
__DIA___________*##.
______________.#####. Beijos :-***
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Na verdade... :x
Nós todos precisamos uns dos outros, eu, por exemplo, preciso
De você... Do seu carinho e da sua amizade.
Luandabela -)(-:

terça-feira, 4 de maio de 2010

Bailarina












Bailarina


" Duas batalhas pareciam estabelecidas. A da luz que saltava dele numa face onde o vermelho prevalecia. E a do cheiro do perfume dela. Incendiando o vento primeiro."


O homem acordava os olhos, fechados ainda do resguardo da noite, e lá fora o céu era de todo azul, num fundo cobalto dos mais lindos. Vestiuse à perfeição. Enrolou no pescoço alongado uma gravata e a seda acentuou a ardência do vetiver que lhe havia mentolado a pele. A delicadeza do tecido logo se associou ao macio algodão da camisa. Branca.
Entrou no carro. Dirigiu quilômetros vários. Estacionou. Juntou as plantas dos dois pés no barro do meio fio. Deslizando o brilho dos olhos na paisagem, viu uma mulher, enfeitando a calçada. Conforme ela amansava, com uma das mãos, os cachos dos cabelos, ia ele também amansando a alma. Que os olhos dele já se iam comprimindo. Olharam-se. Ela, alheia. Ele, trágico.
Uma avezinha, das miúdas, cruzou o céu, pipilando. Ele caminhava, oblíquo. Ela, em linha reta, na direção oposta. A ave, longe. Pipilando, agora, uma oitava abaixo. Correu ele a cabeça para trás e, rápido, voltou outra vez a olhar obliquamente. Ela cruzou a rua. Ele deu a volta no quarteirão. E então a abordou, seco:
- Tia Amélia? Amélia Rossi Vargas?

- Sim, sou eu - disse, disposta.

- Quem descerrar a cortina / da vida de bailarina / há de ver cheio de horror / que no fundo do seu peito / abriga um sonho desfeito / ou a desgraça de um amor

- Os que compram o desejo

- Pagando amor a varejo

- Vão falando sem saber
Ele gaguejou. Ela o incitava a ir em frente, com os olhos gastos. Ele não foi. Então ela disse, peremptória, citando o verso sem musicá-lo:
- Que ela é forçada a enganar.
E o embrulhou num abraço duro. Encharcado. Estavam ali os corpos, o tio, a tia, o amante, o alfanje, a gritaria, o quarto cheirando azedo, a cama. A cama. A cama.
- Tia, eu nunca - não chorava, rompia-se. Espichou os olhos muito negros e muito fortes nos dele, sentenciando:

- O tempo. O tempo leva tudo. Levou os discos da Ângela Maria.
Ele caiu aos prantos num jorro de segundos poucos. Vida de bailarina rodava na vitrola da cabeça do menino morando nele. Oito anos. O tio aos berros. Os que compram o desejo. A tia nua. Pagando amor a varejo. Ângela Maria enchendo o quarto. A bailarina. A bailarina. A bailarina.
- Me desculpe. Tia, eu.
Uma gota, levíssima, fez com que o homem se desprendesse do passado recente da infância para levar a mão esquerda à testa. Os cabelos branqueavam em mechas esparsas. Organizou-os com a mão direita. A tia sorriu, olhando para frente. Ele não. Ele não sorriu. Duas batalhas pareciam estabelecidas. A da luz que saltava dele numa face onde o vermelho prevalecia. E a do cheiro do perfume dela. Incendiando o vento primeiro.
Tia e sobrinho se olharam. E o sobrinho desviou, lânguido, a vista para baixo. O horizonte tomava conta, infindável, daquele negrume que se foi consumindo na pira das lembranças. 38 graus. Mesmo à sombra.
Oito anos. A bailarina. A bailarina. Que o menino sabia que era desvio do coração, ah, isso sabia. O tio e a tia tinham lá um amor dos mais bonitos e o menino tinha fincado a cisma num rapaz que muito frequentava o quarto da tia. Sem ser o tio. Mas ele não disse. Escondeu o segredo do que viu. Não quebrou com sua fala a descoberta fininha do que era a paixão. Que o tio já vinha entrando, alfanje na mão. Atirou no intruso. O menino correu para debaixo da cama. Dois olhos acesos. Coração apagado. Azeda. A bailarina. A bailarina. Berros. O disco riscado. A tia parada. O tio descabelado. O menino acuado. O rapaz estirado. Com os cabelos deslizando em sangue.
Abrasado, o menino foi da cama ao armário. Escancarou a porta. Uma caixa luxuosa guardava o que só o instinto parecia ler. Suava em bicas. Abriu o quadrado de segredos, envoltos todos em papel de seda. No reflexo dos movimentos, a luz sugeria cor. Era o turquesa dos olhos de uma boneca horrorosamente triste. Cabelos poucos num rosto encardido, que sustentava um olho vítreo sem par. Naquele buraco em plástico, lugar de sentidos ausentes, um outro papel, engordurado pelo que só podiam ser dedos inquisidores, abrigava, num exercício de treva em letras pretas, uma carta.
Abriu, trêmulo, a folha. Eram alma, coração e sangue num frágil equilíbrio de letras. Da tia. Escorrendo, licorosas, naquelas mãos suadas. Azedo. A cama. O rapaz estirado.
Não há esperança. Uma única vez lhe procurei. O filho que você me fez se foi há muito. O seu leite forte, incandescente, não me machucou a carne como aquela criatura frágil vazando de dentro de mim. Espessa. Num vermelho dos mais vivos. Foi numa tarde fria. Você havia marcado a ferro o seu lugar no mundo e eu tinha os cabelos tinturados e as unhas descascadas. Eu não cabia na sua medida de mundo. Mas você coube na medida do meu desejo. E me cravou um filho no ventre.
Você apontava o dedo para a minha dor com aquelas letras de bolero que eu não entendia. Mamava no território dos meus seios, trancado a sete chaves. Sorvia o meu corpo molhado com o seu silêncio, umedecendo nomes de mulheres que não eram o meu. Me atirava um "burra" na cara quando eu perguntava quem era Torquato Neto. E depois acentuava o carmim do meu rosto com a sua boca furtiva.
Eu fiz o amor com você e a guerra com aquela criança. Era menina. Eu sei que era menina. Vazou de mim um dia inteiro. Era você que eu expulsava do meu corpo com urgência. Era do seu visgo forte que eu me desfazia com pressa.
A criança foi embora sem jamais ter ganhado forma. Mas você não foi. Você ficou entranhado nas minhas umidades. Eu procurei meu marido em silêncio. Me deitei com ele. Bebi a justa ausência do seu gozo. Fingi a rubra cadência do meu prazer.
E você não foi.
Você é o talho na carne daquela criança morta. Arroxeada. Num vermelho vivo. É a sua entranha que eu rasgo num corte reto agora".
Ele redobrou o papel. Há de ver cheio de horror. A bailarina. A bailarina. Pagando amor a varejo. A cama. A cama. Azedo.
O vento balançou a copa de uma árvore lá fora. A tarde caiu.
Lívia Sganzerla Jappe


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