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_________________Luandabela♥♥♥
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__________♥Olá♥ Caríssimo♥
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___EU___*####*
__QUERO___*####
__VOCÊ_______*##*
__FELIZ TODO___*##
__DIA___________*##.
______________.#####. Beijos :-***
___________.##########
__________.####*__*####
Na verdade... :x
Nós todos precisamos uns dos outros, eu, por exemplo, preciso
De você... Do seu carinho e da sua amizade.
Luandabela -)(-:

sábado, 1 de maio de 2010

POSSO ERRAR?





POSSO ERRAR?



 Há pouco tempo fui obrigada a lavar meus cabelos com o xampu “errado”. Foi
 num hotel, onde cheguei pouco antes de fazer uma palestra e, depois de ver
 que tinha deixado meu xampu em casa, descobri que não havia farmácia nem
 shopping num raio de 10 quilômetros. A única opção era usar o dois-em-um
 (xampu com efeito condicionador) do kit do hotel. Opção? Maneira de dizer.
 Meus cabelos, superoleosos, grudam só de ouvir a palavra “condicionador”.
 Mas fui em frente. Apliquei o produto cautelosamente, enxaguei, fiz a
 escova de praxe e... surpresa! Os cabelos ficaram soltos e brilhantes —
 tudo aquilo que meus nove vidros de xampu “certo” que deixei em casa
 costumam prometer para nem sempre cumprir. Foi aí que me dei conta do
 quanto a gente se esforça para fazer a coisa certa, comprar o produto
 certo, usar a roupa certa, dizer a coisa certa — e a pergunta que não quer
 calar é: certa pra quem? Ou: certa por quê?

 O homem certo, por exemplo: existe ficção maior do que essa? Minha amiga
 se casou com um exemplar da espécie depois de namorá-lo sete anos. Levou
 um mês para descobrir que estava com o marido errado. Ele foi “certo” até
 colocar a aliança. O que faz surgir outra pergunta: certo até quando?
 Porque o certo de hoje pode se transformar no equívoco monumental de
 amanhã. Ou o contrário: existem homens que chegam com aquele jeito de
 “nada a ver”, vão ficando e, quando você se assusta, está casada — e feliz
 — com um deles.

 E as roupas? Quantos sábados você já passou num shopping procurando o
 vestido certo e os sapatos certos para aquele casamento chiquérrimo e, na
 hora de sair para a festa, você se olha no espelho e tem a sensação de que
 está tudo errado? As vendedoras juraram que era a escolha perfeita, mas
 talvez você se sentisse melhor com uma dose menor de perfeição. Eu mesma
 já fui para várias festas me sentindo fantasiada. Estava com a roupa
 “certa”, mas o que eu queria mesmo era ter ficado mais parecida comigo
 mesma, nem que fosse para “errar”.

 Outro dia fui dar uma bronca numa amiga que insiste em fumar, apesar dos
 problemas de saúde, e ela me respondeu: “Eu sei que está errado, mas a
 gente tem que fazer alguma coisa errada na vida, senão fica tudo muito sem
 graça. O que eu queria mesmo era trair meu marido, mas isso eu não tenho
 coragem. Então eu fumo”. Sem entrar no mérito da questão — da traição ou
 do cigarro —, concordo que viver é, eventualmente, poder escorregar ou
 sair do tom. O mundo está cheio de regras, que vão desde nosso
 guarda-roupa, passando por cosméticos e dietas, até o que vamos dizer na
 entrevista de emprego, o vinho que devemos pedir no restaurante, o
 desempenho sexual que nos torna parceiros interessantes, o restaurante que
 está na moda, o celular que dá status, a idade que devemos aparentar.
 Obedecer, ou acertar, sempre é fazer um pacto com o óbvio, renunciar ao
 inesperado.

 O filósofo Mario Sergio Cortella conta que muitas pessoas se surpreendem
 quando constatam que ele não sabe dirigir e tem sempre alguém que
 pergunta: “Como assim?! Você não dirige?!”. Com toda a calma, ele
 responde: “Não, eu não dirijo. Também não boto ovo, não fabrico rádios —
 tem um punhado de coisas que eu não faço”. Não temos que fazer tudo que
 esperam que a gente faça nem acertar sempre no que fazemos. Como diz
 Sofia, agente de viagens que adora questionar regras: “Não sou obrigada a
 gostar de comida japonesa, nem a ter manequim 38 e, muito menos, a achar
 normal uma vida sem carboidratos”. O certo ou o “certo” pode até ser bom.
 Mas às vezes merecemos aposentar régua e compasso.

 Leila Ferreira é jornalista, apresentadora de TV e autora do livro
 Mulheres – Por que será que elas..., da Editora Globo

Beijos
 Por 
Leila Ferreira

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